A entrada é o primeiro grande desafio de quem quer financiar um imóvel ou veículo. Segundo a ABECIP (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), a entrada média nos financiamentos imobiliários no Brasil é de 25% a 30% do valor do imóvel — mas quanto maior for essa porcentagem, menor será o custo total do financiamento.

Neste guia, explicamos quanto você precisa juntar para cada tipo de financiamento, onde investir enquanto poupa e como o valor da entrada impacta diretamente as parcelas e os juros.

Quanto de entrada cada financiamento exige

Os requisitos de entrada variam conforme o tipo de bem e o programa utilizado:

Financiamento imobiliário

ModalidadeEntrada mínimaObservação
SFH (Caixa/bancos)20%Imóveis até R$1,5 milhão
Minha Casa Minha Vida — Faixa 10% a 5%Renda até R$2.640, com subsídio
Minha Casa Minha Vida — Faixa 210% a 20%Renda de R$2.640 a R$4.400
Minha Casa Minha Vida — Faixa 320%Renda de R$4.400 a R$8.000
SFI (imóveis acima de R$1,5 mi)30% a 40%Taxas de mercado

Para entender melhor as condições do programa habitacional, veja nosso guia sobre o Minha Casa Minha Vida 2026.

Financiamento de veículos

TipoEntrada mínimaEntrada recomendada
Carro novo (0 km)20% a 30%40% ou mais
Carro usado (até 5 anos)30% a 40%50% ou mais
Carro usado (5-10 anos)40% a 50%50% ou mais
Moto nova20% a 30%40% ou mais

Se você pretende financiar um veículo usado, confira os cuidados essenciais para evitar problemas.

O impacto da entrada no custo total

A diferença entre dar 20% e 40% de entrada pode representar uma economia de dezenas de milhares de reais. Veja a simulação para um imóvel de R$400.000:

EntradaValor financiadoParcela inicial (SAC, 9,5% a.a., 360 meses)Total pago (financiamento + entrada)Juros totais
20% (R$80.000)R$320.000R$5.200R$1.032.000R$632.000
30% (R$120.000)R$280.000R$4.550R$943.500R$543.500
40% (R$160.000)R$240.000R$3.900R$855.000R$455.000

A diferença entre 20% e 40% de entrada é de R$177.000 em juros. Cada R$10.000 a mais na entrada economiza aproximadamente R$22.000 ao longo de 30 anos.

Palpitano — Palpites em Tempo Real

Usando o FGTS como parte da entrada

O FGTS pode ser usado como parte ou totalidade da entrada no financiamento imobiliário. Segundo o Banco Central, mais de 60% dos financiamentos pelo SFH utilizam FGTS na composição da entrada.

Requisitos para usar FGTS na entrada

  • Mínimo de 3 anos de trabalho sob regime CLT
  • Não ter financiamento ativo no SFH
  • Não ser proprietário de imóvel residencial no mesmo município
  • Imóvel deve ser residencial, urbano e valer até R$1,5 milhão

Como verificar seu saldo de FGTS

  1. Acesse o app FGTS (Caixa Econômica)
  2. Consulte pelo site da Caixa com login gov.br
  3. Ligue para 0800 726 0207

Para um guia completo sobre o uso do FGTS, leia nosso artigo sobre como usar o FGTS no financiamento.

Onde investir enquanto junta a entrada

Enquanto você poupa para dar entrada no financiamento, o dinheiro precisa estar em aplicações seguras e com liquidez. Não é hora de arriscar na renda variável.

Melhores opções para acumular a entrada

InvestimentoRendimento estimado (a.a.)LiquidezIRIdeal para
Tesouro Selic~12,25%D+1Sim (regressivo)Reserva de curto prazo
CDB com liquidez diária100-110% do CDID+0 a D+1Sim (regressivo)Poupança mensal
LCI / LCA90-95% do CDI90 a 360 diasIsentoPrazo definido (6+ meses)
Poupança~6,17% + TRImediataIsentoPequenos valores

Recomendação: para quem vai juntar por 1 a 3 anos, a combinação de Tesouro Selic (para reserva rápida) + LCI/LCA (para parcelas maiores com prazo definido) é a mais eficiente, pois a isenção de IR da LCI/LCA compensa a carência.

Simulação de acumulação

Se você poupa R$2.000 por mês investindo em CDB a 100% do CDI (12,25% a.a.):

PrazoValor acumuladoEntrada possível para
12 mesesR$25.400Carro de R$50.000 (50% entrada)
24 mesesR$53.200Carro de R$130.000 (40%) ou imóvel de R$180.000 (30%)
36 mesesR$83.800Imóvel de R$280.000 (30%)
48 mesesR$117.500Imóvel de R$400.000 (30%)

Estratégias para juntar a entrada mais rápido

1. Defina uma meta com prazo

Estabeleça exatamente quanto precisa e quando quer comprar. Exemplo: "R$80.000 em 36 meses = R$2.222/mês de aporte".

2. Automatize os aportes

Configure débito automático para a aplicação no dia seguinte ao pagamento do salário. O que não está na conta corrente não é gasto.

3. Direcione rendas extras

13º salário, férias, restituição do IR, bônus — tudo direto para a conta da entrada. Essas rendas extras podem reduzir o prazo em 6 a 12 meses.

4. Reduza gastos temporariamente

Cortar R$500/mês em gastos não essenciais (streaming, delivery, assinaturas) acelera significativamente a acumulação. Em 36 meses, são R$18.000 extras.

5. Considere vender bens

Se tem um carro antigo, eletrônicos ou outros bens parados, vender pode gerar um aporte significativo que acelera sua meta.

Entrada menor: quando faz sentido

Nem sempre a maior entrada possível é a melhor escolha:

  • Se a taxa de juros do financiamento é baixa (Minha Casa Minha Vida com subsídio): o dinheiro pode render mais investido
  • Se você ficaria sem reserva de emergência: nunca comprometa sua segurança financeira
  • Se há oportunidade urgente: um imóvel abaixo do preço pode compensar a entrada menor

A regra é simples: dê a maior entrada que puder sem comprometer sua reserva de emergência (mínimo de 6 meses de despesas).

Custos além da entrada que você precisa prever

Ao planejar a entrada, não esqueça dos custos adicionais:

Para imóveis

  • ITBI (Imposto de Transmissão): 2% a 3% do valor do imóvel
  • Registro em cartório: 1% a 2%
  • Avaliação do imóvel pelo banco: R$500 a R$3.000
  • Mudança e eventuais reformas

Para veículos

  • Transferência e emplacamento: R$500 a R$1.500
  • IPVA proporcional
  • Seguro do veículo (primeiro ano)

Para um imóvel de R$400.000, reserve pelo menos R$15.000 a R$20.000 além da entrada para cobrir esses custos. Para carros, reserve R$3.000 a R$5.000 extras.

Perguntas Frequentes

Posso financiar 100% do imóvel sem dar entrada?

Apenas no programa Minha Casa Minha Vida Faixa 1, para famílias com renda até R$2.640, é possível financiar com entrada próxima de zero (com subsídio do governo). Nos demais casos, a entrada mínima é de 20% no SFH. Financiamento de 100% não é oferecido pelos bancos brasileiros fora desse programa.

O FGTS conta como entrada no financiamento?

Sim. O FGTS pode ser usado como parte ou totalidade da entrada em financiamentos imobiliários pelo SFH. É a forma mais comum de compor a entrada: segundo a Caixa, mais de 60% dos financiamentos habitacionais utilizam FGTS na entrada.

Quanto tempo leva para juntar entrada de um imóvel de R$300.000?

Com entrada mínima de 20% (R$60.000) e aportes de R$2.000/mês em CDB a 100% CDI, você leva aproximadamente 28 meses (2 anos e 4 meses). Adicionando 13º e rendas extras, esse prazo pode cair para 20-24 meses.

Se eu der uma entrada maior, o banco aprova mais fácil?

Sim. Quanto maior a entrada, menor o risco para o banco e, consequentemente, maior a probabilidade de aprovação. Além disso, muitos bancos oferecem taxas de juros menores para quem dá entrada acima de 30%, pois o LTV (Loan to Value) mais baixo representa menor risco.

Posso usar consórcio para juntar a entrada?

É possível, mas geralmente não é a melhor estratégia. O consórcio tem taxa de administração (15% a 25%) e a carta de crédito só é liberada quando você for contemplado. Para juntar entrada, investimentos de renda fixa são mais eficientes e previsíveis.